Sinto que estou começando a me acostumar a escrever de noite.
Seria essa sensação mística que esse período tem sobre mim?
Admito que sempre fui um amante da noite.
Me perco nas horas, no silêncio que paira aqui em minha casa.
Não consigo ouvir nem a respiração rouca de meu irmão.
Nem o rangir dos móveis que esfriam com a madrugada.
Eu seria uma coruja, ou um morcego se fosse um animal.
Será que seria melhor como animal do que como pessoa?
Animais não tem amor, não tem ódio.
Não tem guerra, mas não tem paz.
Não tem bondade, não tem nada.
É o instinto de sobrevivência sobre tudo.
Uma vida muito mais simples.
Preferiria viver como um tatu do que na montanha-russa em que estou.
Tatus rolam, vivem em cavernas, comem ou sao comidos.
Fácil como contar.
Pessoas pensam, sentem, choram e riem.
Tem escolhas, tem dúvidas, tem arrependimentos.
Seria melhor que seguissemos só nossos intintos?
Seria melhor que não houvesse tecnologia?
Seria melhor voltar para a sombra que fomos um dia?
Quem sabe......
Eu sou curioso. Isso posso assumir.
Mas não é a toa que a curiosidade matou o gato.
Espero que todos possam buscar compreender a vida.
Não apareceu ainda um manual que nos diga o que fazer.
Muito menos um que diga se devemos ser meras sombras.
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